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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

narcose


narcose, doçura.
delírio,
delirium tremens.
te extraño.
i miss you, sugar.
tremo de beijos,
degusto seu-meu medo.
medir o tempo, não merecemos.
não compreendo
essa relaciona-e-mente.
miragem, magia, milagre
não engrandecem.
te quero, coração,
sem tripa, sem trabalho.

são tantos agouros
que aturam os mosquitos
dentro da tua cabeça,
que tentam escapar pela tua nuca 
encucada e em coleira.
cria cores,
comete crimes
para salvar uma crise, um dia,
que nunca terminam.
too much work for something that never worked.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

you and me, we are just our hips

dark and twisted like Meredith, 
I choose 
to twist and shout my hips on yours
and to break the glass of my memory.

a toast to my dirty grey shadow
moving deliciously slow
during the meeting of 
bodies and no soul.

a great lover
has just escaped from my stomach
to lick you from head
to toe.

would you give me the pleasure of
one more night
to let everything go?

segunda-feira, 21 de março de 2016

a relevância indelével
da leveza da tua língua
na minha vida
vacila
e me envenena.

quinta-feira, 10 de março de 2016

coleção cinco de março

não seguro
o que dura
de tão leve - 
pena.


finalmente, eu
entre os seus dentes
e agora essa saudade
que lambe.


Quantas linhas se embaraçam e se entrelaçam nessa boca que escapa do meu desenho? Com quantos riscos se faz um beijo?


seus dentes trincam na minha
SOLIDÃO


corpo não tem coragem
de pisar neste lugar nem
de se colocar de acordo com a 
cor e o sabor que pode proporcionar.


Não sei por que escrevo tudo isso, 
porque não tenho lugar.


venta no meu corpo inteiro 
o teu silêncio.


parte o meu tempo essa sua partida
sem sentido.


meu coração sem pé nem cabeça quer
seu corpo outra vez.


o amor está nas mordidas e nas partidas.


Respirar entre os beijos inventa solidão.
Inventar beijos é respirar solidão.
Beijar solidão requer inventar muita respiração.
Respirar só beijos é morrer de solidão.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Hoje não é dois mil e seis

para  G.

Em cada ponta de uma década:
nós, 
desatando em desejo, trincando beijos.
Eu aos vinte, tu aos trinta - e três.
Num piscar dos meus olhos, os teus,
aos teus quarenta - e quase três.
Era dois mil e seis:
Teus dentes, meus lábios, pela primeira vez.
Inverno, vestígios frios, etéreos e efêmeros.
Tuas malas de viagem cheias de mistério.
Por uma década, teu silêncio quase eterno me visita.
"Hoje não é dois mil e seis.", repeti.
Repeti, repeti.
Te enterrei. Me enterrei.
Dois mil e dezesseis:
Passado presente, acaso pensado.
Tu, da minha mente à minha frente.
Logo tua língua, minha boca,
teus dentes, meus dentes - ah teus dentes! -,
tua boca, minha língua, outra vez.
Hoje não é dois mil e seis 
nem dois mil e dezesseis.
Desfaz-se a década na duração surda a medidas.
Verão, teu novo olhar e a minha melhor versão.
Tu vestido? Quero não!
Teu corpo esclarece a minha mente obscura.
Teus dentes desenham no meu seio 
a delícia e a dor do desapego.
Nosso entrelaçar delicadamente intenso confunde o tempo.
No meu corpo prego desespero pressentindo tua ausência.
Tu, entregue e despido aos meus trinta,
a mim, enquanto eu viva, 
outra vez, não sei.
Tu: desaparecido pela segunda vez.
Sedenta, tensa de saudade, sinto, sento e não espero.
Ainda te desejo.
Na sombra do teu silêncio,
em meus dedos,
procuro o que ficou de ti.
Não sei se te escrevo ou se me penteio,
se esmurro o teu tempo ou o meu espelho.
Desbota no meu seio a duração do nosso desejo.
Hoje é só dois mil e dezesseis a se desenrolar no tempo.


Poema escrito a partir da foto 2, fotografia de Alice Vasconcelos, do 2° Foto Sarau, e a partir de uma experiência bastante significativa sobre a qual eu não estava conseguindo escrever.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Hoje não é dois mil e seis (esboço 2 - 05.02.2016 - poema escrito para o 2° Foto sarau - 28.02.2016*)

para G.

Dois dias a cada dez anos,
ou são dois dias, dez anos?
Nossas bocas trincando.
Eu aos vinte, tu aos trinta.
Eu aos trinta, tu aos quarenta.
Os mesmos ou sombras
Daqueles dois de dois mil e seis.
Quando seus dentes, meus lábios, no inverno, pela primeira vez.
Vestígios frios e etéreos
Teu silêncio quase eterno me visita.
Te enterrei. Me enterrei.
Hoje não é dois mil e seis.
Dois mil e dezesseis
Acaso pensado, encontro marcado.
Olhos devoram, abraços deslocam, dois segundos.
Descascam o tempo útil os dentes.
De repente, uma década ausente.
Não era dois mil e seis nem dois mil e dezesseis.
Verão, tua volta e a minha melhor versão.
Tu? Vestido, quero não.
Nas pontas dos teus dedos, meus fantasmas.
Teus dentes desenham no meio seio
A delícia e a dor do desapego,
Que não aprenderei desta vez.
A durar, meu mundo sob teu olhar
E teu corpo a me nortear.
Nem o tempo matemático nem meus versos desnorteados podem contar.
Tu, despido aos meus trinta, ou enquanto eu viva, outra vez, não sei.
Tu, desaparecido pela segunda vez.
Sedenta e tensa de saudade, sinto, sento e não espero.
Te desejo, no meu corpo prego desespero.
Na sombra do teu silêncio,
Não sei se te escrevo ou se me penteio,
Se esmurro o teu tempo ou o meu espelho.
Se esvaece no meu seio a duração do nosso desejo.
Hoje é só dois mil e dezesseis a se desenrolar no tempo.


*Postarei a versão final após o dia 28.02.

Hoje não é dois mil e seis - para G. (esboço 1 - 04.02.2016 - poema escrito para o 2° Foto sarau - 28.02.2016*)

Dois dias a cada dez anos
Nossas bocas trincando.
Quatro vezes em cada dez anos.
Nós, em uma década:
Eu, aos vinte, aos trinta
Tu, aos trinta, aos quarenta.
Não somos outros senão sombras
Daqueles dois de dois mil e seis.
Seus dentes, meus lábios, pela primeira vez.
Vestígios frios e etéreos
No teu silêncio quase eterno.
Te enterrei. Me enterrei.
Dois mil e dezesseis
O tempo útil dito década descascado pelos dentes.
Acaso pensado, encontro marcado.
Olhar, abraço, dois segundos e 
De novo as mordidas.
Dois dias, outra vez.
O verão, tu e a minha melhor versão.
Meus fantasmas nas pontas dos teus dedos.
Dentes que desenham no meio seio a delícia e a dor do desapego,
Que não aprenderei desta vez.
Vestido, não quero te ver.
Nem teu olhar para o meu mundo
Nem o meu mundo em teu corpo
Meus precários versos sabem descrever.
Tu, vestido ou entregue
Aos meus trinta outra vez, não sei.
Pela segunda vez, senhor do sumiço e do sabor intenso.
Tensa de saudade, sinto, sento e não espero.
Prego desespero no meu corpo e no meu desejo
Na sombra do teu silêncio.
Não sei se te escrevo ou se me penteio
Se grito entre os seus cachos grisalhos cortados,
Se esmurro o teu tempo ou o meu espelho.


*Postarei a versão final após o dia 28.02.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

"you show up and the world is wild!"

Rainer Maria, a banda, foi a inspiração para nomear este blog, não só o nome dele, mas também o endereço, fazem referência à banda. "A better version of me" é o nome de um álbum e "The awful truth of loving" o nome de uma música da banda. Há dez anos, escutando os álbuns A better version of me e Long knives drown, lendo O amor nos tempos do cólera de Gabriel García Márquez, eu encontrava pistas do que eu sentia. Se mantenho as referências até hoje é porque algo daquele tempo ainda está comigo - e é disso que falo quase o tempo todo neste blog - mesmo que não exatamente da mesma forma... ao longo dos anos, mais bonito, mais triste, mais complicado, mais pesado, mais vazio e, há dois dias, mais interessante, além de um pouco distante da trilha sonora de 2006. Não consigo ainda dizer o que é, nem escrever algo no mínimo bonito a respeito, mas tenho uma nova trilha sonora. Na falta das minhas palavras, tento encaixar os últimos dois dias nos últimos dez anos na imagem de uma playlist:

1. The double life (Rainer Maria)
 save me some time, I can't tell any more what's yours and what's mine

2. The awful truth of loving (Rainer Maria)
it's a dilemma of boys and girls for centuries
do I really know you? do you really need me?
first it feels right then you write a novel worrying about the awful truth of loving

3. Ears ring (Rainer Maria)
You need contact daily
Your conscience is failing
You need contact daily
And you already love her

4. Catastrophe (Rainer Maria)
But I've got a plan.
I'm gonna find you
at the end of the world

5. Bottle (Rainer Maria)
It's like a bottle to the head.
I'm seeing stars, I'm seeing red.
I'd taste your mouth in anyone's kiss.
Where do you end and I begin?

6. Life of leisure (Rainer Maria)
The future's going out of focus.
Our talk is cheap, but the phone bill is not.
And how can one word mean another?
And why am I staying up alone in the dark?

7. Southpaw (Rainer Maria) 
Cracked knuckles, and my fists are bandaged up for the fight.
Am I ready?There's the bell.
How many rounds can I go?
And how can I soften the blows?
Can I avoid them altogether?
But my heart isn't in this.
I'm supposed to be a seasoned fighter.
It feels like my first hit.(and it hurts like...)
I didn't see this coming anyway.(yeah, it hurts like hell)
But my heart isn't in this.
I'm supposed to be a seasoned fighter.
It feels like my first hit.(and it hurts like...)
I didn't see this coming anyway.(yeah, it hurts like hell)
So don't tell the crowd,
but I'm gonna let my guard down.

8.  Make you mine (Rainer Maria)
Can you name all the bones in my body?
Can you make all the tones in my head?
[...]
Can you lay all my ghosts in their graves?

9. This is love (P.J. Harvey) 
I can't believe life's so complex 
When I just wanna' sit here and watch you undress 
This is love that I'm feeling 

10. Untitled and unsung (Belly) 
I want you soft in the middle. I see a strange and furious face. I know your heart. I want your pearly hand in my hair. We make a strange and furious pair. I want you locked in the middle. I know your heart. I know your heart. It's just like mine was. So you wanna know why I can't sleep. You wanna know why I can't sleep. You wanna know why I can't sleep. Unless I've got a belly full of wine. You show up in time for a bad time. Mmm, 'less I've got a belly full of wine. You show up and the world is wild. I want your pearly little hand in my hair. We make a strange and furious pair. I want you pearly on the inside. I know your heart. I know your heart. It's just like mine was. So you wanna know why I can't sleep at night. You wanna know why I can't sleep at night. You wanna know why I can't sleep. Unless I've got a belly full of wine. You show up in time for a bad time. Mmm, 'less I've got a belly full of wine. You show up in tails for a bad time. Mmm, 'less I've got my belly full of wine. I'm drunk and the world is wild. You got it. Heaven in your hand,You got it. You got it, Heaven in your hand.


11. ?

domingo, 23 de março de 2014

A palavra "furacão"

A palavra "furacão" de acordo com a dupla Air;
Parte da trilha sonora do filme Virgens Suicidas;
Ou: trilha sonora para cair no chão de uma loja de discos

para clicar e escutar: The Word "Hurricane" - Air

The word 'Hurricane' is the name given to nature's strongest storm. A 
hurricane occurs when high pressure and low pressure masses of air come in contact with one another. 

There is often a significant difference in temperature between the two masses. One mass is warm, while the other is cold. The warmer air rises, and the cooler air falls. Likewise, the low pressure area slides down the sides of the high pressure area. 

They swirl in and around one another, creating the beginnings of the storm.


domingo, 19 de janeiro de 2014

Da vida que muda como se troca de faixa ao escutar um disco. Da vida que muda como um final de uma temporada e o começo de outra em um seriado. (continuo péssima para títulos!)

I'm lost again
And I'm on the run
Looking for love
In a sad song

Torch - Soft Cell


Há um lugar em São Paulo que é uma espécie de "Central Perk" do seriado Friends pra mim... Na verdade é melhor do que o "Central Perk", devido ao tema e à proposta. E eu não tenho duas amigas e três amigos que formam um grupo inseparável que frequentem esse lugar comigo o tempo todo mas eu tenho boas amigas e bons amigos por aí, em círculos diferentes, e pessoas queridas que aparecem e reaparecem na minha vida o tempo todo. Trata-se de um lugar que conheci por acaso, na busca por aquilo que amo e não entendo e que sinto e não explico: música. Isso foi há muito tempo, há quase 10 anos. Em dez anos, novos sons, novas pessoas, novos abraços, novos amores, novas decepções, novas experiências e novos medos pelas coisas novas. Ontem estive lá em busca da música e das pessoas, hoje esse lugar é um novo espaço com uma nova proposta mas com as mesmas pessoas. Foi a primeira vez que fui sozinha até lá depois de cair em um dos buracos desse lugar... o lugar é adorável mas tem buracos e ovos no chão, como há em todos os lugares, por isso qualquer um(a) pode cair se não tomar cuidado onde pisa. Foi a primeira vez que apareci lá sozinha desde que saí do buraco "C", foi estranho, frio e havia pouco ar para respirar no início. "Não deveria ter vindo", pensei nos primeiros minutos. A sorte é que há um balão de oxigênio, imagens que distraem como em um delírio e lenços de papel no banheiro. Respiração no lugar, olhos enxutos e cabeça erguida, saí do banheiro e encontrei J., companhia de longa data nesse lugar e em outras caçadas por música. Sim! Eu deveria ter ido, os ovos no chão pareciam agora massagear os pés, eram ovos de borracha! Logo cumprimentei V., quem levava os bons sons para aquela noite, quem pouco conversou comigo desde que nos conhecemos mas que teve um papel tão especial na minha angústia no lançamento do livro de W., onde eu estava sozinha e incomodada pela presença de C., quando eu ainda tinha um pé dentro do buraco. Era preciso que nos reuníssemos para escutar os sons de V.! Por isso chamei seu vizinho A.,  que foi também meu companheiro de filosofia e ruídos, alguém que sabe encontrar beleza no som de uma britadeira... embora ontem só houvesse sons delicados no lugar, as britadeiras estavam apenas na minha cabeça. Éramos J., A. e eu em uma mesa com outros personagens com nomes e muita simpatia, um pouco longe de C., ator de uma novela mexicana onde atuei, por quem eu tenho alguma simpatia desajeitada que não encontrou direito o seu lugar. V. começou a tocar as suas músicas e a cantá-las sem microfone com uma surpreendente e bela voz, ele nos apresentou também músicas que não eram suas, músicas que gostamos: Oh! You Pretty things! E uma música de quem gostamos, de um amigo que está longe, era uma música de W., o do livro, sim, o do livro bonito, alguém com quem eu tive um passado e quase um outro passado que pode ser algo no futuro, um futuro passado, um passado futuro que coça e que me dá ansiedade porque não posso prever e que terei que ressignificar mas não sei como o farei porque... porque... porque ainda não chegou. Retomo a respiração. Anyway, V. elogiava W. antes de revelar seu nome e eu cutucava J. dizendo "É o W. É o W" e era. Talvez aquele tenha sido o momento mais surreal da noite, eram muitos dos meus passados, muitos futuros se construindo, muitas coisas se ajeitando e acordes tão bonitos que não sei fazer com letras que não sei escrever que traziam uma pausa para tanta ansiedade e tanto medo que me invadem nos últimos dias.  
Uma vez um amigo me disse que iria escrever um seriado sobre a minha vida amorosa. J. escreveu que ontem o seu dia parecia um final de temporada, não tenho a menor ideia de quais seriam os motivos dele para escrever isso, mas para mim parecia um começo de temporada. Contudo, a roteirista sou eu e agora cabe a mim decidir o que vou escrever.

sábado, 4 de janeiro de 2014

O Jogo da Amarelinha, capítulo 7 (Cortázar)

Toco a tua boca, com um dedo toco o contorno da tua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se pela primeira vez a tua boca se entreabrisse e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que minha mão escolheu e te desenha no rosto, uma boca eleita entre todas, com soberana liberdade eleita por mim para desenhá-la com minha mão em teu rosto e que por um acaso, que não procuro compreender, coincide exatamente com a tua boca que sorri debaixo daquela que minha mão te desenha. 
Tu me olhas, de perto tu me olhas, cada vez mais de perto e, então, brincamos de ciclope, olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores, aproximam-se, sobrepõem-se e os ciclopes se olham, respirando indistintas, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas, onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio. Então, as minhas mãos procuram afogar-se nos teus cabelos, acariciar lentamente a profundidade do teu cabelo enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de fragrância obscura. E se nos mordemos, a dor é doce; e se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura, e eu te sinto tremular contra mim, como uma lua na água. (CORTÁZAR, J., O Jogo da Amarelinha, p.50)

sábado, 21 de setembro de 2013

A vida de um beijo

Na distância,
Entre os estados e o tempo,
Só nos resta o silêncio.

Não há a distorção no som,
Nem os nossos beijos dissonantes.
Só me resta uma saudade dançante.

A memória das tuas mordidas
Em meus lábios ainda tem vida:
O melhor beijo da minha vida!

O sotaque, a gíria;
Guria eu era naquele dia gris,
Entrelaçando os dedos nos teus cachos grisalhos.

Cinza como os teus cabelos
Era a cor daquele dia
De beijos, braços, dentes e despedidas.

Frio, São Paulo, braços dados
E o calor do teu abraço como um porto
Que me alegrava.

O teu olhar que tentei fotografar
Em meu olhar agora evapora.
Porosa é a minha memória.

Tu descansas agora alegre
Em teu porto, e pelo ar
Tu deixas a guria.

Em Porto Alegre,
Tu evaporas o melhor beijo

Da minha vida!

sábado, 27 de julho de 2013

bise

Melhorou. Foi só o frio, o gelo e uma pedra que se formou. A respiração foi aparentemente controlada, e a corrida pelo sistema digestivo foi discreta. Não havia estrelas reais nem imaginárias, no céu, mas foi como se houvesse, com o conhecimento de que não havia. O consentimento e a iniciativa se encontraram. Houve quebra daquela sequência do simples, do sozinho, do mecânico, do programado com um um brinde quadrado e pseudorefrescante. Quando se tem movimentos, sabor pra quê? Tinha tudo: dentes, orelha, nariz, barba, cabelos e... desespero, ah [suspiro bom] o desespero. Era no tempo do vermelho tornar-se verde, era o desespero do tempo e o desespero do movimento. E não tinha ninguém dizendo "Calma!". Só a beleza do bom desespero, o "barato" do desespero, the thrill. Tenso e intenso... e o desespero. O desespero lindo que  em 24 horas se atropelou, e agora se calou, porque interpretou mal os símbolos e as consequências. O desespero espera agora com calma pela próxima voltinha e pelas novas cores que ele pode enxergar. O desespero era o ato e o desespero era ela.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

entre o amanhecer e o pôr-do-sol

E então... você tem a pretensão de comparar o seu mero acaso que você chamou (chama, chama, chama - ainda chama) "melhor beijo da minha vida" com os filmes Antes do amanhecer e Antes do pôr-do-sol... ainda mais agora que faz cinco meses desde que você começou a se reabilitar dele... "reabilitação dele" - dele quem? Do álcool? Não não não, três dedos de vinho e você quer parar por ali, tranquila, sem correr o risco, enquanto três segundos olhando para ele... Por isso melhor que não haja mais contato... nem internet, nem telefone, nem cartas para um endereço que você desconhece mas saberia muito bem descobrir (stalker! stalker!), nada, cinco meses sem informações sólidas. Sem contato, só contando com o acaso, Antes do amanhecer para, dez anos depois, o Antes do pôr-do-sol... quase um acaso, um acaso criado por um livro que traz as lembranças de volta, dez anos depois. Sete anos, sete anos e algumas coisas escritas, uma ignorada, and your chest is a cage for my letters, eu poderia cantar... Parece que estou esperando pra ver o que acontece entre o amanhecer e o pôr-do-sol... Coisa de filme, ou não. Mas então... qual é a semelhança? Olhar como se tirasse uma foto para não se esquecer do rosto e da presença, não esquecer da data, escrever sobre o que aconteceu, viver aquilo sendo jovem e amadurecer pensando nisso tudo. Só isso... Foram só beijos, foi só mais uma garota, foi só mais uma viagem... foi só mais uma garota criada para encantar-se com um olhar de "semi-deus", mais uma garota que se debate entre o encanto e o mundo real. Mais uma garota tenta dar um novo significado a um beijo e a um ser humano de carne e osso.
Foi só um filme... dois.
Até quando será que posso assistir o terceiro filme no cinema, Antes da meia-noite?