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segunda-feira, 14 de agosto de 2017

modificar ou modos de ficar

Pensei que fosse morrer.
E quando descobri que,
para eles,
o contrário do desrespeito é o sufoco,
pensei:
Não sei se grito ou se corro.
Corri.
E não morri.
Eu ri,
de alívio,
de deixar o vício em desperdício,
em dez perdas por cada sorriso
ou dez pedras por cada sumiço.
Me assumi
e me encontrei
em um, dois, três suspiros ritmados
e em olhos amigos.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

escrito em 24/03/2017 - ruptura

eu não sei como começou
com sua cara - cara ou coroa -, sorte, cabelos ou não.
quatro - de repente quatro encontros,
coro, corro, choro,
corpo - encaixe. não como.
choque!
empecilho não!
mil vezes linda, mil bons dias e noites iludidas
pela tecnologia.
casa, comida, comidas e
roupa no armário.
no meio da noite não há mais sono nem sonho - STOP!

sementes ocas
piso em falso num terreno infértil.

Onde foi que eu errei?
Onde foi que eu feri sua existência poética?
Poeira e falta de métrica.
O que foi que eu não vi?

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

semana passada

existo nesta mão que toca o estilete e
desiste de 
trincar anda mais meus
trinta.
e um segundo,
como um segundo olhar, me salva.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

quinta-feira, 2 de junho de 2016

depois do post anterior, hoje esbarro neste trecho

"Désir d'écrire à Jacques. J'avais dit que non, il vaut mieux que non. J'y irais plus loin que peut-être il ne le voudrait lui-même. Il faut attendre sa lettre, qui ne viendra pas. Il y a quelque chose d'extraordinaire. Que je puisse concevoir si bien ma vie sans amour, et même la vivre. Que je ne sente aucun manque quand je n'aime pas, sinon par comparaison, et que j'aime ainsi d'un amour qui est une plénitude tellement incommensurable avec la fausse plénitude de l'autre." (BEAUVOIR, Simone. Cahiers de jeneusse 1926-1930. Paris: Gallimard, 2008, p. 532)

escrito por Simone de Beauvoir em 18 de novembro de 1928 no sexto caderno dos seus diários. Os grifos são meus. Alguém quer a tradução?

quarta-feira, 1 de junho de 2016

só para constar

"O que é toda essa história? Do que se trata? Quem é esse Robert L.? Chega de dor. Estou a ponto de compreender que não há mais nada em comum entre esse homem e eu. Dá no mesmo esperar um outro. Eu não existo mais. Então, se eu não existo mais, por que esperar Robert L.? Dá no mesmo esperar um outro se eu gosto de esperar. Nada mais em comum entre esse homem e ela." (Marguerite Duras)

Das coisas mais legais que eu já ouvi e li. Trecho da peça "A dor" (com Rita Grillo, dirigida por Vanessa Bruno) que está em cartaz no Sesc Consolação, provavelmente um trecho do livro A dor (La douleur) de Marguerite Duras. O grifo é meu.