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segunda-feira, 8 de junho de 2015

Em uma ordem qualquer, quem eu gostaria (muito) que viesse (logo) tocar em São Paulo

Sleater-Kinney
P.J. Harvey
Rainer Maria
Portishead
Veruca Salt
The Babes in Toyland
Superchunk

Veria de novo: The Breeders, Sonic Youth (e/ou Lee Ranaldo), Yo la tengo, Team Dresch.

(pensando em quem ainda está se apresentando; e sim, sei que posso ter esquecido de alguns nomes)

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Na delicadeza do caos

quase uma resenha do show do Yo la tengo de 03.06.2014 no Cine Joia

Não escondo a minha dificuldade em classificar e categorizar qualquer coisa, até mesmo e principalmente as que me fazem sorrir. "Como é esta banda?", "Que som fazem?", "Com quem se parecem?" são perguntas que soam quase como ameaça para mim; talvez isso tenha explicação, talvez seja decorrente da época em que certo alguém por quem eu estava encantada me deixava (ou que eu deixava que me deixasse) do tamanho de uma ervilha quando falava sobre música, para ele eu era a referência de ignorância, se eu conhecia uma banda, então qualquer outra pessoa deveria conhecer, "Até ela conhece! Como você não conhece?", apontando para mim, ele dizia à pessoa que não sabia do que ele estava falando. Talvez isso não devesse me atingir de tal forma, afinal, saber tudo de música era (e é) o trabalho dele, e o meu negócio sempre foi outro, talvez era a nossa relação que me deixava do tamanho de uma ervilha, não a minha ignorância musical. Tal ignorância permanece até hoje, já tentei aprender a tocar instrumentos, li tantas resenhas de álbuns, convivi e convivo com tanta gente que explica o que escutamos... e nada. Eu não compreendo música, eu sinto, e de alguma forma isso me basta e preenche com muita alegria grande parte da minha existência. Algumas bandas do meu coração até se organizam no meu cérebro de forma harmoniosa, sei os nomes das pessoas e o que elas tocam na banda, sei os nomes das minhas músicas preferidas e sei localizar essas - e outras! - músicas em seus respectivos álbuns, esse não é o caso do Yo la tengo, banda que de alguma forma me arrebata e que ao mesmo tempo me dá um nó no cérebro. Mas esse papo de "pobre de mim, eu não sei falar bonito sobre música" deve cansar qualquer leitor(a), então indo direto ao assunto, que pode ser colocado em menos palavras do que a introdução que fiz ao mesmo, Yo la tengo é uma banda linda, "Yo la tengo é lindo" foi a frase que enviei para algumas pessoas hoje de manhã. Ontem fui ao show  (há um belo trecho do show aqui: https://www.youtube.com/watch?v=Ujbc4wDLeuY dessa banda norte-americana que existe desde algum momento da década de 1980 mas que eu conheço há apenas dez anos e nesses dez anos foi uma lenta apreensão do som feito pelo trio. Foi devagar que a música de Ira Kaplan, Georgia Hubley e James McNew me conquistou, mas o mais interessante é que nessa lenta aproximação nunca deixei o Yo la tengo de lado, algo me fazia ficar com as canções à mão, por perto, até que quando eu soube da vinda do trio para o Brasil, não tive dúvida que eu iria ao show e que, sem saber o motivo, seria incrível. Eu já ouvira repetidas vezes a fofíssima "Sugarcube" e "From a motel 6", e tinha como preferida "We're an American band", era tudo que eu podia dizer do Yo la tengo quando decidi que veria a banda ao vivo, depois descobri a incrível "Tom Courteney", entre outras músicas que ainda não se organizam e mal são identificadas na minha vida, mas que já fazem nela uma tremenda diferença. Deixando de lado a minha habilidade (ou falta de) em guardar nomes de músicas e identificá-las, ontem foi lindo, como já disse. Não compreendo como ali havia gente conversando enquanto eu tentava me entregar a sentir o caos  e a delicadeza daquela apresentação. Eram movimentos suaves capazes de provocar os ruídos mais altos e intensos, barulho suficiente para preencher uma sala com pensamentos confusos. Peso e leveza se enfrentavam e se abraçavam. Palavras bonitas eram sussurradas sob um barulho que parecia indicar que algo desabava em algum lugar exterior ao sussurro, ou lá dentro de quem sussurrava. Houve momentos em que fechei os olhos, momentos em que dancei, momentos em que balancei a cabeça, momentos em que não percebi o tempo passar (milagre!), momentos em que desejei que as pessoas calassem a boca e compreendessem que silêncio também faz parte da música. Hipnotizante, arrebatador, gracioso. Entre ruídos e distorções mais uma vez encontrei o meu calmante. Só sei explicar música desse jeito. 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

rock, fanzines, Breeders e eu - "Summer is ready when you are!"

O rock, os fanzines, o feminismo, a filosofia, algumas pessoas, e tudo isso junto, me salvaram. Ter vontade de escrever este post me faz lembrar de quando eu descobri os fanzines, e quando comecei a fazer o meu, o saudoso BURN! Don't Freeze!!, cujo slogan era "música - dicas - idéias - críticas", isso foi há pouco tempo, quando "ideia" ainda tinha acento. Ele nasceu no final de 2003, na virada para 2004 - qualquer hora faço um post só sobre ele aqui! - e morreu na virada de 2007 e 2008, deixando a semente para um novo zine, o fracassado Levemente inviável, que era simplesmente um natimorto, mas tinha boas intenções. Logo veio o Histérica, ideia de duas amigas queridas, zine feminista que foi muito especial, em outro formato, em outro contexto, mil coisas borbulhando e que... teve seu tempo... Será inesquecível pra mim mas hoje não estou mais nele. Meu ato de "zinar" hoje está concentrado aqui, não ainda exatamente do jeito que eu quero, mas já tomando forma... e o que acontece aqui me lembra muito aquilo de "música - dicas - idéias - críticas": um lugar onde eu podia dizer o que eu queria, tentar apontar algo que eu achava errado, ou escrever com canetinha e paixão sobre uma banda que me arrebatava... só que sem peso, sem pensar nas consequências, coisas que a gente faz no final da adolescência... Dez anos depois eu me sinto mais cuidadosa aqui, sem certeza das "minhas verdades" e do quanto posso dizer que as coisas são assim e ponto final.
Enfim... mas deixando um pouco o peso do tempo de lado, a minha ideia neste post é retomar um pouco dessa relação despretensiosa ouvinte-banda em uma folha, ou uma tela, em branco, preenchida por um texto e algumas fotos. O que me leva a fazer isto é o show da banda The Breeders, que aconteceu semana passada, no dia 24 de Julho de 2013, no Cine Joia.

Ahooh Ahooh Ahooh Ahooh Ahooh Ahooh é o barulho que vem à minha cabeça quando penso em Breeders... inevitável não lembrar do hit Last Splash, já que ouvi falar da banda pela primeira vez na grande mídia, numa tal de Mtv, e que, sim, é uma música muito legal! Last Splash é também o disco que faz 20 anos, o motivo do show, que consistiu em tocar o álbum do início ao fim, na ordem do cd, do jeito que dá pra escutar em casa... com uma música terminando e você já ansiosa para a próxima começar, é como se fosse uma música só que você sabe cantar do início ao fim!!! 
A primeira vez que vi a banda foi em 2008, meu primeiro festival com muita gente, quando multidões não me incomodavam, nem me davam falta de ar. Não consegui ficar tão perto, mas até que eu conseguia enxergar um pouco porque eu sou grandona, né, e foi incrível. Lembro que na hora de Last Splash, a música, o hit, comecei a pular entre as pessoas e torci o pé... foram alguns dias de pé arrastando no trajeto Mooca-Perdizes para o trabalho, mas o pior, foi o pé arrastando no show do R.E.M. três dias depois, sem pulos, mas com muita alegria também. Este retorno às Breeders foi tão incrível quanto à primeira vez, mas foi outro momento.
Não sou mais tão jovem, não me refiro tanto à idade, mas mais em relação a experiências, emoções, e rabugice com o que já me aconteceu em tão pouco tempo, enfim... mas mesmo assim o coração pulou, principalmente ao ver um coração lindo no flyer do show, o coração da capa do disco, ao saber que haveria um show das Breeders há poucos minutos de casa (embora a SPTrans não entenda bem esta distância), onde eu ouviria o Last Splash todo... sim, TODO, incluindo a faixa cinco, Roi, que eu amo mas não acho que seja tão popular para que resolvam tocar em qualquer outro show. Yay! Passei por cima das dúvidas e das inseguranças pessoais, focando só no amor à música, comprei o ingresso e deixei pra lá os livros de francês que preciso para um curso que começa na semana que vem.  Mas as dúvidas e as inseguranças voltaram... e joguei o Last Splash em cima delas: coloquei o cd pra tocar como trilha sonora na faxina do quarto, e eu estava sorrindo de novo e desistindo de pegar o dinheiro de volta, e me lembrei disso todas as vezes em que as dúvidas voltaram. (Alguém me ajuda a comprar os meus livros de francês com desconto? Realmente, ainda não comprei...)
Poderia comentar cada música do show, mas isto eu deixo para minhas amigas e amigos especialistas em Breeders, porque afinal, o meu amor pela banda aumenta a cada show, consiste em algo em processo, não está completo e eu não conseguiria analisar o show tecnicamente com aquelas precisas informações enciclopédicas que enriquecem o nosso conhecimento. O meu negócio é sentimento, sinto tanto quanto penso, às vezes penso mesmo porque sinto demais. 
E foi pelo tanto que pensei sobre a falta de ar que tenho sentido, a sensação de estar presa em multidões, que me fez decidir: verei o show da parte superior da casa, sentada e de longe, já está bom. Parecia o bastante já ter saído de casa no super frio que chegou em São Paulo naquela semana e sob efeito de quarenta gotas de Buscopan para aguentar a super cólica que chegara naquele mesmo dia... tudo isso em meio ao meu caos emocional, porque as coisas não cessam de acontecer ao seu redor nem mesmo nas férias, nem no dia de um show incrível. Mas quando se tem amigas queridas, é possível superar algumas coisas, e foi por causa de uma delas que eu pensei que talvez não houvesse problema em ficar lá na frente (no lugar incrível que conseguimos chegando duas horas antes do show!) por pelo menos duas músicas, ou cinco (Roi é a a quinta!), ou por todo Last Splash, bom, mas aí eu já estava BEM na frente, com as letras empacadas na garganta, me sentindo rodeada por um bocado de gente hipnotizada que não ficaria muito feliz em ceder passagem no meio do show... aliás, com razão essa gente! Então eu respirei fundo, com lágrimas rolando enquanto tocava Drivin' on, e me apoiei no degrau que havia abaixo do palco, pensando: "Ontem eu troquei ideia com o Lee Ranaldo, e hoje eu vejo e ouço Breeders aqui, na minha frente". As condições naturais, a condição de fêmea, podem ser transcendidas, se você se encontra numa situação onde elas possuem outro significado, me ensinou Beauvoir, e havia tanta alegria ali que as cólicas se foram, e a angústia do caos emocional daquela semana foi suspensa pelo tempo que as músicas duraram, prolongando-se até o dia seguinte. 

I like all the different people. I like sticky everywhere. Look around, you bet I'll be there! era o que eu pensava na faxina, imaginando como seria ver a banda mais uma vez, embora eu me encontre atualmente num estado quase recluso, a vontade era de cantar esses trechos da música Saints
In the crowd you bet I'll be there! E a multidão era assustadoramente bonita: as pessoas cantavam, gritavam (ok, poderiam ter gritado menos nas belas pausas de Roi), pediam a atenção da banda (embora a melhor atenção que pudéssemos receber era a música) e até queriam dar mosh. No palco, as irmãs Deal, especialmente a Kim ("Be good! The Pope is watching you!", ela provocou), eram só amor! A banda toda era especial ali, mas não dava pra perder nada de Kim e Kelley! O contraste das Deal era Josephine Wiggs, a baixista, com a sua postura imponente que prendeu o meu olhar, embora ela parecesse descontente, nervosa, ou triste, com um ar fechado, ela e seu baixo me transmitiam a sensação de serem inabaláveis. Ela, seu baixo, e Head to toe, que veio na leva de músicas, depois de tocarem todo Last Splash, anunciada por Kim como uma música cuja letra fora escrita por Josephine: Your face looks good to me! era o refrão forte. Não me importava que Josephine não sorria, era bom vê-la ali perto de qualquer forma. E por ter me sentido tão ligada à postura dela ali, resolvi pesquisar mais sobre sua carreira nesta semana e bem, descobri que podemos ouvi-la em outras duas bandas: Ladies who lunch (que regravou Pixies e Sonic Youth num projeto chamado "Kims we love", que nome fofo!) e Josephine Wiggs Experience. Mas um outro dia eu volto a falar dela aqui. 

E o que falta dizer? Que Breeders curou a minha angústia, a minha cólica, e me fez parar de pensar na vida por algumas horas? Já disse... Enfim, The Breeders é amor! E amor emanava do violino em Do you love me now?, que a princípio recusei a mim mesma a cantarolar junto, porque conforme a vida e Beauvoir tem me mostrado, embarcar de olhos fechados nessa coisa romanticazinha não dá muito certo, mas de repente lá estava eu cantarolando e quase ordenando: C'mon c'mon come back to me right now! Realmente aquela semana foi estranhamente boa e surpreendente... e isso se confirmou ainda mais quando consegui um autógrafo da Kelley Deal.

E o frio parecia até ter ido embora... Summer is ready when you are.